10 animais que deixaram uma pegada literária: Parte 1
10 animais, 10 espécies que marcaram a literatura.

Por Leonor Rodrigues.

É uma cat-person? Ou uma dog-person? Ou uma whale-person (porque não, cada macaco no seu galho e gostos não se discutem)? Entre ficção literária, banda desenhada e literatura infantojuvenil, descubra 10 animais, de 10 espécies diferentes, que deixaram uma pegada literária.

Babar (L’Histoire de Babar, Jean de Brunhoff)

© Jean de Brunhoff

Dans la grande forêt, un petit éléphant est né. Il s’appelle Babar. Sa maman l’aime beaucoup.

L’Histoire de Babar conta a história de um pequeno elefante que mora na selva e cuja mãe é morta por um caçador (esperamos que tenham um pacotinho de lenços convosco, sobretudo aqueles de nós que nunca recuperaram do início do Bambi). Ao fugir também ele do caçador, acaba por chegar a uma cidade, onde passa algum tempo e aprende com as pessoas, acabando por regressar à sua aldeia com o conhecimento que adquiriu, aldeia essa onde se torna Rei dos Elefantes. Embora tenha sido criticado ao longo dos anos pelo seu pendor colonialista, a verdade é que a partir deste livro se criaram séries de televisão e um conjunto de livros muito queridos pelos mais novos nos dias de hoje, Babar e Badou.

Cujo (Cujo, Stephen King)

© DR

It would perhaps not be amiss to point out that he had always tried to be a good dog.

É verdade — Cujo costumava ser um bom cão. A única coisa que fez de mal foi perseguir aquele maldito coelho até à sua toca e ser mordido no nariz por um morcego com raiva. Foi, contudo, o suficiente para Cujo perder o controlo de si próprio e começar a aterrorizar e atacar os habitantes de Castle Rock. É esta a premissa de um livro inquietante de Stephen King, o mestre do horror, sobre uma situação em que o melhor amigo do homem se torna o nosso pior pesadelo. Mas não se preocupe — mesmo que seja um pouco desconcertante ao início, depois de ler vai poder continuar a abraçar e a brincar com o seu companheiro de quatro patas. Certifique-se só de que não há morcegos raivosos nas redondezas (não vá o Diabo tecê-las).

Igor (Winnie-the-Pooh, A.A. Milne)

© Disney

The nicest thing about the rain is that it always stops. Eventually.

Digam o que disserem, o Igor vai sempre ser a nossa personagem preferida de Winnie-the-Pooh. É fofo, é simpático e consegue ser bastante filosófico. Se fôssemos nós a passar por tantos contratempos, não sabemos se conseguiríamos ter a paz de espírito do Igor. E, apesar de todas as coisas más que lhe acontecem, não perde a sua empatia, o amor e a preocupação pelos amigos e o gosto pelas coisas simples da vida. Contudo, a verdade verdadinha (e por isso é que temos um pequeno T2 reservado no inferno) é que as desventuras sucessivas de Igor, a perda constante da cauda, a casa que está sempre a cair, nos fazem rir bastante e sentir ainda mais ternura por este burriquito acidentado. 

Shadowfax (O Senhor dos Anéis, J.R.R. Tolkien)

© Gabi

Does he not shine like silver and run as smoothly as a swift stream? He has come for me: the horse of the White Rider. We are going to battle together.

Shadowfax, como qualquer boa personagem de uma série fantástica com cenários medievais, tem também os seus epítetos: é Senhor dos Cavalos, descendente de Felaróf e da raça lendária dos Mearas. Os Rohirrim, também senhores dos cavalos, nunca conseguiram domá-lo, e foi apenas Gandalf que o conseguiu fazer, tendo sido então oferecido por Theodén, rei de Rohan, ao Feiticeiro Branco. Capaz de entender a língua dos humanos e de cavalgar mais depressa do que o vento, Shadowfax tornou-se o fiel companheiro de Gandalf e ficou a seu lado em todas as aventuras e batalhas do Senhor dos Anéis.

Hobbes (Calvin e Hobbes, Bill Watterson)

© Calvin & Hobbes

What fun is it being “cool” if you can’t wear a sombrero?

Por aqui, somos grandes fãs de Calvin e Hobbes, o rapaz rebelde que passa o dia a sonhar acordado, só faz asneiras, pede lança-chamas ao Pai Natal mas, no fundo no fundo, tem bom coração, e o seu tigre, simultaneamente de peluche e amigo imaginário, que o acompanha nas suas aventuras. Hobbes gosta de achar que é mais maduro do que Calvin, rejeitando alguns dos seus planos mais malucos e dando lições de moral, mas não engana ninguém: também ele se diverte imenso a correr pela mata, a andar de tobogã e a planear a resistência a invasões alienígenas. Se lhe arranjarem uma sandes de atum pelo caminho, então perfeito.

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