5 razões para continuar a ler livros em papel (e 5 para começar a ler e-books)
O que prefere? Livros em papel ou livros eletrónicos?

Por Leonor Rodrigues.

Sim, vamos mesmo dedicar-nos à eterna batalha do livro em papel versus livro eletrónico. A verdade é que, ao contrário do que se previa, tem-se notado que, em todo o mundo, a adesão ao e-book tem sido inferior ao expectável, e, em Portugal, é ainda um mercado com muito pouca expressão. Mas, como em quase tudo na vida, cada modalidade tem as suas vantagens, por isso vamos então analisar 5 razões para continuar a ler livros em papel e 5 para começar a ler e-books.

Em defesa do livro em papel

© Freddie Marriage | Unsplash

1. Peso

Se calhar somos só nós, mas gostamos do peso dos livros. Gostamos de pegar neles, ver se são leves ou pesados, sentir, quando lemos, que este também é um ato físico. Depois de uma sessão de leitura longa com um calhamaço, as mãos doridas lembram as horas bem passadas. E, como bons bibliófilos que somos, o peso dos livros nas malas e nas mochilas (porque Deus nos livre de irmos a algum lado sem um livro atrás) tem o seu quê de reconfortante.

2. Armazenamento

Os livros ocupam espaço, é verdade. É um problema recorrente dos bibliófilos ter livros espalhados em todas as divisões da casa, gastar dinheiro em estantes e ocupar neurónios a tentar jogar Tetris com os livros e as estantes novas, para garantir que cabe tudo. É um problema? Sim, mas também é um prazer e um motivo secreto (ou não) de orgulho. É uma ótima sensação olhar em volta e ver todos os nossos livros aconchegados no seu lugar, por muito caótica que seja a distribuição.

3. Marcadores de livro

Não é comum a todos os bibliófilos, mas a maior parte gosta de ter bons marcadores de livros para acompanhar as leituras. Alguns de nós são até colecionadores e há todo um ritual associado à escolha do marcador a usar em cada livro (alguns de nós preferem dobrar os cantos das páginas; temos opiniões fortes sobre este assunto, mas vamos focar-nos no politicamente correto e dizer que cada um sabe de si). 

4. Materialidade

Por aqui, também gostamos da materialidade dos livros. Gostamos de ver as capas, escolher as nossas preferidas, comprar livros pela capa (quem disser que nunca se sentiu pelo menos tentado está a mentir). Gostamos de tocar nos livros, de ver qual a gramagem do papel da capa, sentir a textura do papel do miolo, ver se o papel é mais translúcido ou opaco. E gostamos, admitimos, do cheiro dos livros, sejam novos ou antigos, a mistura do cheiro do papel e da tinta (uma boa forma de identificar um bibliófilo é procurar as pessoas que andam a cheirar livros nas livrarias — pré-Covid, claro).

5. Ir a livrarias

Comprar e ler livros físicos dá-nos a desculpa de precisarmos de ir a livrarias, de todos os géneros e feitios (alfarrabistas, generalistas, independentes, especializadas, há livrarias para todos os gostos). Um bibliófilo passa sempre horas felizes em livrarias, a ver livros para comprar no momento, comprar no futuro, livros que não quer, livros para oferecer. Recomendamos, dentro do possível, que visitem livrarias independentes; costumam ser locais muito especiais e precisam de ajuda para sobreviver nesta conjuntura.

Em defesa do e-book

© Aliis Sinisalu | Unsplash

1. Peso

Há quem goste de sentir as mãos doridas ao fim de uma longa sessão de leitura, mas há quem gosta de conseguir segurar toda uma biblioteca só com uma mão. Os e-readers são leves e ocupam menos espaço do que um livro tradicional, pelo que são mais fáceis de transportar no dia a dia e em viagens. Não precisa de se preocupar com exceder o peso máximo da sua bagagem nos aeroportos quando vai de férias ou dar um jeito às costas porque decidiu ler o Anna Karénina nas viagens de transportes para o trabalho.

2. Armazenamento

Diga adeus aos problemas de arrumação de livros em sua casa. Tal como, com um e-reader, consegue segurar toda uma biblioteca com uma mão, também consegue arrumar os seus livros no pequeno retângulo de espaço que um e-reader ocupa. Ideal para quem tem casas pequenas ou não gosta de andar a organizar e reorganizar a configuração dos móveis e dos livros nas estantes. E, mais uma vez, ótimo para ir de férias sem ocupar dois terços da sua mala (ou uma mala inteira) com os livros que quer ficar a ler na praia.

3. Preço

Embora a diferença não seja extraordinária ou astronómica, os e-books são mais baratos do que os livros em papel. Para quem lê muito, não tem muito dinheiro ou não quer gastar muito dinheiro, pode ser uma opção mais económica. Claro que o e-reader é um investimento, mas vai amortizando livro a livro, por isso é um valor que se paga a si próprio rapidamente. 

4. Instantaneidade

Com os e-books, pode comprar qualquer livro que esteja disponível para si com um rápido conjunto de cliques. Do conforto do seu sofá, sem sair do sítio ou ter de ir para a rua em dias de chuva ou esperar pela entrega, que pode demorar dias sem fim. Assim, sem mais, tem o livro pronto a ler em poucos minutos. Comprar um livro físico dá, sem dúvida, mais trabalho. Um aviso rápido: cuidado com as compras por impulso; se é mais fácil comprar, também é mais fácil comprar coisas que, bem vistas as coisas, não eram assim tão importantes.

5. Personalização

Quando compramos um livro em papel, ele vem cristalizado na forma que lhe foi dada pela editora. Não há como mudar a cor do papel, a fonte, o tamanho da letra, a largura das margens. Há quem goste, mas há quem prefira que as coisas venham à escolha do freguês — e o e-book permite este nível de personalização que muita gente prefere. Pode fazer ajustes à configuração do livro (dentro dos limites do ficheiro e do seu dispositivo) e moldar a sua experiência de leitura ao seu gosto.

No fundo, o mais importante é que cada um leia como gosta mais e como se sente mais confortável. Prefere livros em papel ou e-books? Diga-nos nos comentários.

***

Se quiser conhecer outros artigos do euleioemcasa.pt, subscreva a nossa newsletter. Não se preocupe. Não o vamos maçar todos os dias.