Julgue um livro pela capa
Pedimos a três leitores que nos digam como são atraídos pelas capas de um livro.

Por João Valente.

«Não julgue um livro pela capa» estão sempre a dizer-nos. No Eu Leio Em casa gostamos de subverter as convenções. Por isso, fomos perguntar a três leitores, de idades, histórias de vida e áreas do saber muito diferentes, o que mais os atrai numa capa. E, claro, acabaram por dizer-nos aquilo que não valorizam e os faz perder o interesse quando olham para um livro. 

Pedro Góis hesita antes de nos responder. Este diretor de arte teme que o olhar profissional prejudique uma análise que se quer pessoal. Explica que nunca fez capas de livros — só de revistas e jornais — e, por isso, responderá apenas como leitor. Ainda assim, assume que «é muito difícil separar os dois olhares. Acabo sempre por ver uma capa de forma técnica. Até porque, se a capa for bem feita, percebo que o produto foi bem pensado. E isso faz-me interessar pelo objeto que está à minha frente». João Simas defende que «uma capa é uma porta de entrada para um livro. Deve mostrar muito sem mostrar demais». Com formação académica em Filosofia, analisa agora as pegadas digitais dos utilizadores de determinados sites. Assim, acaba por olhar para uma capa tentando perceber o percurso que os nossos olhos fazem: «O que é mais importante? O autor ou o título? A obra vive por si ou depende de quem a escreve? O nível de destaque de cada um destes elementos dita o que nos querem vender. Essa escolha é uma decisão muito interessante». Mas também reconhece que uma capa com um nome conhecido «dá dez a zero às outras. Talvez não devesse ser assim, mas é». A nossa tríade de leitores encerra-se com Paulo Ferreira. Engenheiro de profissão, relativiza a importância de uma capa. «Será importante, mas o autor ou o tema do livro são muito mais decisivos na minha compra». No entanto, aceita que uma capa infeliz pode arruinar uma compra. 

Mas, afinal, que elementos constituem uma boa capa? «O bom uso das letras e das ilustrações. A ilustração deve ser uma interpretação do livro. Muitas vezes é uma mera repetição do título e isso, de certa forma, é menorizar o leitor», considera Pedro Góis, assumindo que as capas publicadas em Portugal, no seu todo, «não são espetaculares». João Simas destaca as cores. «Elas marcam a emoção que o livro nos vai transmitir. E também acho interessante que a capa deixe alguma coisa de fora. O que não se vê, mas é percetível». A modernidade é apreciada por Paulo Ferreira. «Em geral, prefiro capas simples, mas que sejam frescas, que tenham um toque de atualidade. As capas clássicas acabam por aborrecer-me». Se o autor for conhecido ou do seu agrado ainda está disposto a aceitar uma capa desinteressante, mas se for um autor novo, uma boa capa é decisiva. Por fim, Pedro Góis ainda destaca que «um livro é uma obra de arte. Uma capa deve refletir esse caráter». E ainda aponta para a prioridade que deve ser dada a capas em papel. «As plastificações devem ser abandonadas por questões ambientais». 

E, para si, o que constitui uma boa capa? Conte-nos tudo na caixa de comentários.

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