Livros para a quarentena #3, por Nélson Nunes
Uma lista de quatro livros sugerida por Nelson Nunes.

Bartleby, o Escrivão, Herman Melville

Nem só de Moby Dick vive o Melville. Esta pequena história do escrivão nova-iorquino que, numa cidade pródiga pela actividade alucinante, pelos negócios constantes e pela necessidade de competência, responde a tudo com um “preferia não o fazer” é um texto que nos deixa a pensar sobre o absurdo da inércia, mas também no seu poder quase irreversível. Bartleby, o Escrivão é uma edição de bolso da Relógio d’Água. 

Mercador da Morte, Douglas Farah & Stephen Braun

Corre por aí o mito de que Viktor Bout terá pago um adereço para o filme Lord of War, com Nicolas Cage, Ethan Hawke e Jared Leto: um avião gigantesco utilizado para uma única cena do filme. Bout, quando confrontado com a alegação, negou, acrescentando ainda que não terá gostado do filme e que Nicolas Cage é mau actor. Lord of War é assumidamente baseado na vida atribulada de Viktor Bout, o mercador de armas mais famoso do mundo, e Mercador da Morte é a sua extraordinária biografia não autorizada, na qual percebemos que um homem sem moral é uma das peças-chave da cena bélica mundial. Mercador da Morte é uma edição da Livros d’Hoje. 

The Big Screen, David Thomson

Este é obrigatório para qualquer cinéfilo: aqui, estão descritas todas as grandes movimentações da génese do cinema, não apenas nos Estados Unidos, mas um pouco por todo o mundo, sem esquecer, evidentemente, os italianos, os franceses e os asiáticos. Mas este não é um livro que se debruça exclusivamente sobre o nascimento da indústria: aqui, lemos também o modo como o cinema foi moldando a cultura e o mundo no decurso do século XX. The Big Screen ainda não tem tradução portuguesa.

The News, Alain de Botton

Numa era em que somos assoberbados por notícias vindas de todas as direcções (ele é redes sociais, ele é televisores acesos num restaurante, ele é um grito súbito numa rádio durante uma viagem longa), e nem sempre conseguimos destrinçar o que é real ou falso, Alain de Botton surge com um pequeno guia filosófico capaz de nos fazer compreender melhor o valor das notícias no mundo contemporâneo, mas também o modo de as consumir com parcimónia. Muitos dirão que Botton é filósofo de algibeira, mas é inegável que o helvético radicado em Inglaterra é um fortíssimo comunicador e descodificador. The News está traduzido para português pela Dom Quixote.

O autor

Nelson Nunes é escritor. Autor de livros como Preciosa (Planeta, 2019), Quem Vamos Queimar Hoje? (Vogais e Companhia, 2018), Isto Não é Um Livro de Receitas (Vogais e Companhia, 2017), Com o Humor Não se Brinca (Vogais e Companhia, 2016) e Quando a Bola Não Entra (Ideia-Fixa, 2015), começou pelo jornalismo na revista Focus, tendo passado pela investigação académica na Universidade Católica Portuguesa e pela assessoria de imprensa no Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol. Hoje é criativo na agência de storytelling True Stories.

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