Livros ou tablets? Porque os seus filhos devem largar o tablet e pegar num livro
Será que o velho livro ainda consegue concorrer com o tablet?

Por João Valente.

Livros ou tablets? A questão consome a consciência dos pais, hoje em dia. É mais fácil deixar os filhos ocupados com um tablet do que com um livro. Por isso, e para sossegar essa consciência matreira, muitos pais autorizam que os seus filhos usem o tablet apenas para atividades educativas, como um jogo científico ou ler um livro em formato e-book. Mas será que o tablet substitui o livro?

Em primeiro lugar, é importante não demonizar os tablets e os respetivos conteúdos digitais. Muitos destes conteúdos são pedagogicamente válidos, ajudando a educar uma criança de forma positiva. E, convenhamos, são divertidos. Quem nunca perdeu tempo a identificar os nomes de todas as capitais europeias numa qualquer aplicação que atire a primeira pedra. É por isso que estes conteúdos são tão sedutores para miúdos e graúdos. E não há mal nenhum nisso

O problema prende-se quando os tablets deixam de ser uma opção entre várias para passarem a ser a única opção. Quando em vez de «livro ou tablet», passa a ser só tablet

Na verdade, os livros são muito importantes no crescimento e desenvolvimento de uma criança, pois permitem aprimorar a sua motricidade fina. O apontar para uma figura, o virar uma folha e até o ato de segurar um livro fazem parte da aprendizagem e do aumento das suas capacidades. Isso não acontece com um tablet. Há evidências de crianças que chegam à idade escolar sem terem estas competências adquiridas. Porque se habituaram a manusear um tablet que substituiu quase todos os outros brinquedos. Desde os livros até às bolas de plástico.

Livro ou tablet? Agora a sério: qual acha que emociona mais?

Um livro é uma memória. Há um valor subjetivo e inexplicável que se associa a um conjunto de páginas agrupadas e protegidas por uma capa. Ou porque recorda umas férias especiais ou relembra uma pessoa importante. Esta memória e apego são visíveis desde criança. Um bebé demonstra a sua preferência pelo livro do Capuchinho Vermelho ou pelo Patinho que vai tomar banho. Com o passar dos tempos essa ligação emocional vai aumentando até que, já adultos, temos dificuldade em separar-nos de certos livros. Isso dificilmente acontece com um conteúdo digital. Até podemos ter um determinado romance em livro ou tablet. Até o podemos guardar numa biblioteca virtual, mas esse livro não terá cheiro, não se rasgará nos cantos, não se deixa apalpar e não ocupa lugar numa estante. 

Por fim, ler em família é uma fonte de tempo de qualidade. E ler um livro em família é diferente de ler num tablet em família. Um tablet é um manancial inesgotável de diferentes conteúdos. Podemos parar de ler a qualquer momento e ver uma rede social, participar num jogo interativo ou selecionar um vídeo engraçado. As crianças mexem no ecrã com maior frequência porque acontecem coisas sempre que o fazem. Isso não sucede com um livro. O conteúdo é aquele e só aquele. O foco é maior e a dispersão menor. Por isso, a interação entre pais e filhos é mais efetiva  ao ler-se um livro. 

Por causa de tudo isto, um pai ou mãe conhecem bem o som da frase «Outra vez!» quando chegam à página final. Este «Outra vez!» consegue exasperar, mas, ao mesmo tempo, é maravilhoso.

Não se ouve essa frase quando se está num tablet, pois não?

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