Livros para a quarentena #3, por Nélson Nunes
Mais cinco propostas de Nelson Nunes para ler em quarentena.

Cosmos, Carl Sagan

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Pode ser que pensar sobre as estrelas nos alivie neste tempo de reclusão.

Cosmos foi o livro inaugural de divulgação científica em massa e, embora tenha sido editado há quarenta anos, há pouca coisa que o torne datado. Carl Sagan era um comunicador extraordinário, que mostrou a outros cientistas que era possível traduzir números e conceitos incompreensíveis em ideias que o comum dos mortais pudesse compreender. Graças a Sagan, pudemos ter Neil DeGrasse Tyson ou Bill Nye.

Toda a obra de Sagan está editada em Portugal pela Gradiva.

Atlas do Corpo e da Imaginação, Gonçalo M. Tavares

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Gonçalo M. Tavares é um dos tipos mais brilhantes a escrever em Portugal se não for mesmo o mais brilhante. Costumo dizer que, a haver um Nobel português num futuro próximo, ser-lhe-á atribuído.

O Atlas do Corpo e da Imaginação é a sua obra maior. É uma enciclopédia sobre o que somos e quem somos, com os outros e connosco próprios, numa exploração diametral que vai da função dos dedos ou dos olhos à nossa necessidade de ter leis e fazer política.

Este, como todos os outros na vastíssima bibliografia de GMT, é algo nunca antes visto na literatura. Inventivo como pouquíssimos.

Esta edição é da Caminho, actualmente esgotada, mas foi recentemente publicada uma nova versão pela Relógio D’Água.

Consider This, Chuck Palahniuk

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Dizem que a escrita não se ensina, e tenho uma certa tendência para concordar com essa ideia. A escrita não se ensina, mas aprende-se. Com os livros dos mestres, com os hábitos dos nossos contemporâneos. Fundir tudo numa amálgama de boas práticas e ir vendo se resulta connosco.

Consider This, de Chuck Palahniuk, autor de Snuff e Fight Club, não é um guia de escrita. Mas revela as técnicas e descobertas da vida do autor que lhe permitiram ser melhor escritor, através de histórias bem ilustrativas. Ando a lê-lo e está a ser uma bonita viagem.
Consider This ainda não tem tradução portuguesa.

Stop Reading the News, Rolf Dobelli

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Em tempos radicais, são precisas ideias radicais. As notícias existem para nos servir, mas não devemos ficar reféns delas. A saúde mental deteriora-se com maior velocidade se andarmos a ratar todos os sites de jornais e até um ou outro vídeo manhoso do YouTube, engolindo tudo com a mesma bitola. Isso causa-nos ansiedade desnecessária, pânico desmesurado e uma susceptibilidade potencialmente perigosa.

É claro que Stop Reading the News é extremista na recusa de notícias, mas dá-nos visões esclarecedoras sobre o impacto que poderá ter a diminuição do volume de notificações ou de diretos idiotas de certos canais.

Vejam notícias (confiáveis!) só num determinado período do dia e desliguem. A bem da vossa sanidade.

Ainda não há tradução portuguesa deste livro.

Musicofilia, Oliver Sacks

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«O pai espirra em dó menor.» Foi este o caso que mais me surpreendeu neste livro: uma criança hipersensível à música que conhecia as notas só de as escutar. Musicofilia, de Oliver Sacks, é um compêndio de casos de pessoas que têm uma estranha relação neurológica com a música, com tanto de bizarro quanto de fascinante.

E, se já leram esta obra, podem escolher, à confiança, qualquer outra da bibliografia de Sacks, porque o cavalheiro era um virtuoso da escrita, e qualquer livro seu é garantidamente um mergulho incomparável na mente humana.

O Autor

Nelson Nunes é escritor. Autor de livros como Preciosa (Planeta, 2019), Quem Vamos Queimar Hoje? (Vogais e Companhia, 2018), Isto Não é Um Livro de Receitas (Vogais e Companhia, 2017), Com o Humor Não se Brinca (Vogais e Companhia, 2016) e Quando a Bola Não Entra (Ideia-Fixa, 2015), começou pelo jornalismo na revista Focus, tendo passado pela investigação académica na Universidade Católica Portuguesa e pela assessoria de imprensa no Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol. Hoje é criativo na agência de storytelling True Stories.

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