Meia dúzia de coisas que aprendemos com a leitura de Imunidade, de Eula Bliss
Vacinar ou não vacinar, eis a questão.

1. As doenças epidémicas europeias não existiam nas américas antes de Colombo desembarcar no novo mundo. Varíola, hepatites, sarampo ou gripe eram apenas palavras sem sentido. 

2. As doenças que os europeus levaram para as Américas redundaram na perda de três quartos de toda a população. E tudo isto em pouco mais de dois séculos. 

3. Ficamos a conhecer episódios de vacinação caseira: «Durante uma epidemia de varíola em 1774, um lavrador que já estivera infetado com varíola bovina usou uma agulha de cerzir para transportar pus de uma vaca para os braços da mulher e dos dois filhos pequenos. […] O braço da mulher ficou vermelho e inchado, e ela adoeceu para depois recuperar completamente, enquanto os rapazes tiveram reações suaves. Foram expostos à varíola muitas vezes ao longo das suas longas vidas, ocasionalmente com o propósito de demonstrar a sua imunidade, sem nunca terem contraído a doença.»


4. «Os primeiros anos de vida de uma criança são um período de educação rápida sobre imunidade: os narizes ranhosos e as febres desses anos não são mais do que os sintomas de um sistema a aprender o léxico microbiano.»

5. A técnica do sangramento era aplicada pelos médicos até ao século XIX: «Os pacientes eram sangrados até desmaiarem, tratados com doses de mercúrio e sinapismos».

6. A varíola desapareceu em 1980. «Atualmente, o vírus da varíola existe apenas em dois laboratórios, um nos Estados Unidos, outro na Rússia.  Pouco depois da erradicação da doença, a OMS definiu uma série de datas limite para a destruição dessas reservas, mas nenhum dos países as cumpriu.»

Eula Biss, Imunidade (Elsinore)

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