Tête-à-tête Literário, com João Reis
Uma entrevista a João Reis sobre livros e literatura.

Nesta rubrica, João Reis responde a 11 perguntas indiscretas sobre livros e literatura.

Livros e leitores. Fixações, obsessões, paixões assolapadas, ódios de estimação. Perguntas de algibeira, umas discretas, algumas indiscretas. Algumas perguntas de gosto duvidoso, outras a pedir provocação ou uma espécie de exaltação. O que falamos quando falamos de livros e aquilo que estamos disponíveis para revelar. Gente conhecida, anónimos, bons leitores, todos gente com opinião.

Onde compra os seus livros?

Em diversos locais, mas quase sempre online. Compro muitas edições estrangeiras. 

Qual o livro que mais ofereceu?

A Bíblia. Aquela versão pequenina, de capa azul, que contém o Novo Testamento e os Salmos. 

Se não fosse escritor, o que seria?

Já fui tanta coisa que a pergunta não se me aplica.

Qual o livro que nunca teve paciência para ler?

Para livros, poucos. Para arremedos de livros é que não tenho paciência. Evito esses livros fofinhos que estão na berra. 

Os livros são caros?

Em Portugal, sim. 

Sublinha os livros, dobra os cantos das páginas, ou os livros são para se estimar sem dobrar as lombadas durante a leitura?

Estimo-os. Dobrar e riscar livros é criminoso e Jesus não gosta. 

Que lugar quis conhecer por causa de um livro?

Vilnius. 

Guia-se pelos prémios nas suas leituras?

Em certa medida, sim: evito ao máximo os vencedores de alguns prémios. 

Uma casa sem livros é um jardim sem flores?

É uma má comparação. Grande parte das pessoas só tem livros em casa para a decorar, portanto, por vezes é preferível não ter flores que não desabrocham. 

Como é que organiza a sua biblioteca?

Não organizo, sofro de uma crónica falta de espaço. 

A que livro volta sempre?    

Aos do Céline. Abro-os, leio uma passagem, rio-me e volto a guardá-los.

O autor

João Reis nasceu em Vila Nova de Gaia, em 1985. Estudou Veterinária, licenciou-se em Filosofia, e foi editor da Eucleia Editora, que fundou, de 2010 a 2012. Entre 2012 e 2015, trabalhou e residiu na Noruega, Suécia e Inglaterra, onde exerceu várias profissões. Atualmente, é tradutor literário, especialista em línguas nórdicas, tendo traduzido para português livros de Knut Hamsun, Halldór Laxness, August Strindberg e Patrick White, entre muitos outros. Em 2015, foi finalista do Bare Fiction Prize, na categoria de flash fiction, e, em 2018, foi-lhe atribuída uma das bolsas de criação literária da DGLAB. Quando Servi Gil Vicente é o quarto romance na Elsinore, antecedido por A Noiva do Tradutor, publicado nos EUA, em 2019, A Avó e a Neve Russa, finalista do prémio Fernando Namora 2018, e de A Devastação do Silêncio, um dos romances semifinalistas do Prémio Oceanos 2019.

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